| Artigo:
E-business: oportunidades e desafios para o tradutor |
Assunto/autor:
Luciana Lavôr |
E-business: oportunidades e desafios para o tradutor Luciana Lavôr
A cada dois segundos, há mais um internauta no mundo. A perspectiva de crescimento da internet até 2005 é de 79% na Ásia, 123% na América do Sul e mais de 2.000% no Japão. Embora no ano passado tenhamos presenciado um “freio” no entusiasmo, aparentemente diretamente relacionado à queda dos preços das ações de empresas de tecnologia, as iniciativas voltadas para o acesso a outros mercados de e-business continuaram se expandindo.
Outro aspecto fundamental retratado pela GlobalReach, uma das líderes mundiais em pesquisas sobre a web, é que 52,4% da população mundial on-line não fala inglês, e os mercados não-falantes de inglês representam 70% do poder de compra do e-business mundial (o “e” não vem de “English”, mas sim de “Electronic”).
Esses usuários não-falantes de inglês compram os produtos e serviços em seus idiomas. Por exemplo, a consultoria americana Forrester Research levantou estatísticas que provam que as pessoas que fazem compras pela Web hoje têm 3 vezes mais chances de comprar itens oferecidos a elas em sua própria língua.
Esse mercado multilíngüe, em rápida ascensão, representa uma área de oportunidade para as empresas e profissionais associados à atividade de tradução. Porém, atrelados à oportunidade existem também grandes desafios para se alcançar as rigorosas exigências de tempo, qualidade e custo.
Não há, por exemplo, como ignorar a dependência das inúmeras tecnologias existentes: tradução automática (MT), tradução assistida por computador (CAT), memória de tradução (TM), gerenciamento de terminologia, reconhecimento de voz, sistemas integrados, etc. Elas se propõem a oferecer resultados surpreendentes, que vão desde o aumento da qualidade pela padronização da terminologia à redução do tempo e custos da tradução, mas demandam do tradutor um novo perfil – um profissional capaz de se inserir num contexto de alta tecnologia.
No entanto, tecnologias são ferramentas, não soluções completas. Ainda é o talento e o know-how do tradutor que exercem o papel mais importante no trabalho de tradução. É ele que cuida da adaptação cultural do conteúdo do e-business ao seu público-alvo. Não devemos subestimar a responsabilidade e a importância dos tradutores e revisores que estão por trás das tecnologias. Elas foram criadas não para substituir o know-how humano, mas para potencializá-lo e maximizá-lo.
--------------------- (julho/2001) Sócia do SINTRA e da ABRATES, Luciana Lavôr é diretora geral da Follow-Up Traduções Técnicas Ltda, onde também atua como instrutora em seminários na área de tradução e informática. luciana@follow-up.com.br Renata Celente é tradutora há 11 anos, associada da ABRATES, formada em Interpretação de Conferências pela PUC-RJ e especializada em tradução
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