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 Artigo:  Tradução para Dublagem e Legendagem Assunto/autor:  Danielle Soares
Tradução para Dublagem e Legendagem
por Danielle Soares

A tradução tem lá seus paradoxos. Um dos exemplos mais claros temos na área de legendagem/dublagem de filmes. Apesar de ser uma das áreas de maior alcance de público, é das menos conhecidas.
Poucas especificidades de nossa profissão são tão comentadas e, muitas vezes, tão difamadas e criticadas como a tradução de filmes tanto para dublagem como para legendagem. Todo mundo tem uma historinha para contar de um erro ou outro que já viu em um filme. Até mesmo quem é profissional de tradução pode não ter idéia dos meandros e das armadilhas com as quais muitas vezes nos deparamos e das perdas lingüísticas inevitáveis por razões que vão além do ato de traduzir.

Aspectos culturais e de cotidiano, produtos, personalidades, enfim, uma enorme gama de informações que têm de ser traduzidas, mas que esbarram nas limitações impostas pela natureza deste tipo de tradução.

Na legendagem, há dois limites básicos: o número de caracteres que cabem na tela e o tempo de leitura necessário, proporcional ao número de caracteres. E o segundo se impõe. Calcula-se o número de caracteres da legenda de acordo com o tempo disponível.
Já na dublagem, há que se respeitar a métrica, o movimento labial e a interpretação dos atores. Nesse caso, o texto vai ser dito de um modo que precisa ser muito natural.

Além dessas limitações técnicas, que não podem ser burladas, sob pena capital para a qualidade final do produto “filme”, esbarramos também na amplitude dos assuntos tratados. Dramalhões românticos, modernos e clássicos, filmes de máfia, de gangues negras, de gangues latinas, de esportes pouco praticados no Brasil, de brigas judiciais, dramas médicos, religião, filmes institucionais, técnicos... O tradutor de filmes encontra pela frente um pouco de muitas coisas, dos mais variados temas e áreas de conhecimento.

Muitas vezes essa diversidade é “facilitada” por roteiros anotados, que trazem explicações a respeito de expressões e referências culturais. Filmes não permitem a utilização de “pés de página”, “parênteses explicativos” ou coisa que os valha. As adaptações culturais sofrem e muitas vezes se perdem porque não há como se alongar em explicações ao espectador.

É certo que há tipos de programação, principalmente os que envolvem transmissão de eventos, que não têm o roteiro, o que aumenta enormemente a possibilidade de haver erros de tradução. Dicção, sotaque, captação do som original, problemas de gravação, tudo isso dificulta o levantamento do texto e, por conseqüência, o trabalho do tradutor.

Mas ocorre que, mesmo entre tradutores, esse ramo não é muito conhecido. Por ter um volume de trabalho menor do que traduções técnicas, jurídicas e literárias, o profissional voltado exclusivamente para esse mercado de filmes é minoria. Se falarmos de legendagem para cinema, estaremos nos referindo a um número ainda menor de pessoas. Daí, muito se fala dos prazos apertados, da pouca remuneração, da qualidade ruim das traduções e outros tantos comentários que nem sempre correspondem à verdade.

O que precisa ficar bem claro é que os problemas de prazos, remuneração, qualidade são exatamente os mesmos que tradutores de outras áreas enfrentam. Portanto, as queixas do tradutor de filmes são as mesmas dos tradutores de outras áreas, inclusive as que se referem a pessoas sem formação ou, nesse caso, sem conhecimento técnico adequado, que participam do mercado e produzem traduções de baixa qualidade com erros que acabam se refletindo desfavoravelmente em toda a classe.

Como é algo tão presente no dia-a-dia das pessoas, o fato de se utilizar uma linguagem mais coloquial dá uma falsa impressão de simplicidade. Por trás dessa simplicidade há, na verdade, domínio da técnica, que é tão importante quanto o domínio do idioma. Esse é o “plus” dessa atividade.

Muito se fala da qualidade. Como já dito, as técnicas de tradução para legendagem e dublagem são muito específicas e muito diferentes entre si. Ainda, no caso da legendagem, o original está ali para ser comparado com a tradução. A visibilidade torna os erros mais banais, mais óbvios. Os espectadores passam a ser os críticos do trabalho do tradutor, muitas vezes sem base para tal.

Vale a pena, ainda, lembrar que muito do que se vê nas TVs por assinatura não é produzido no Brasil. Há uma lei do antigo Concine que protege a produção para dublagem em TV aberta, mas entrou em vigor em uma época em que nem se falava em TV paga. Não que a reserva de mercado seja a máxima solução para os problemas de qualidade que ainda vemos, mas é importante que os estúdios e as produtoras, no Brasil e no exterior, busquem os bons profissionais do ramo, que não são poucos.

O nível das traduções de filmes para TV e vídeo no Brasil melhorou muito nos últimos anos. Como em tudo, há um aprimoramento constante. Os estúdios de dublagem que pagam para ter qualidade, exigem qualidade e conseguem essa qualidade. O fato de o Brasil ter uma das melhores dublagens do mundo tem também a contribuição de quem traduz.

Cabe também ao público exigir que o nível da tradução continue melhorando sempre, valorizando sempre o trabalho do bom profissional.
O mercado tende a receber bem o profissional que domina a técnica e, claro, o idioma. Traduzir para legendagem e dublagem é uma atividade que exige estudo e que se aprende com a prática, com muita transpiração e inspiração.

As avaliações indicam que o mercado de legendagem e dublagem está em crescimento, com maiores exigências de qualidade dos profissionais. Portanto, vamos nos preparar para ele!

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(setembro/2002)
Danielle Soares (daniellesoares@intertrim.com.br) é tradutora e revisora especializada em legendagem e dublagem, jornalista, e presta serviços às principais empresas do ramo no RJ.
Inglês Português
Nome (substantivo) Bachelor Bacharel, Solteirão
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